quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Do luto à luta



Quando li essa frase pela primeira vez ela me pareceu um tanto cruel apesar de realista.

Mas hoje a vejo com outro olhar.

E senti isso na pele quando perdi meus pais.

A dor era tão lancinante que a vontade que eu tinha era apenas de ficar na cama o dia todo, chorando em posição fetal. Porém, enquanto eu vivia meu luto, eu tinha filhos pedindo ajuda pra tarefa, tinha arte do cliente para entregar, tinha a fatura do cartão vencendo e a vida acontecendo em minha volta. Então o que você faz? Você acorda chorando, mas limpa o rosto porque deu a hora de levar o filho no inglês. Você sai pra ir em uma reunião de trabalho, passa na frente daquela padaria onde tomava café com a pessoa que partiu, e seu coração se aperta, mas logo você chegou no seu compromisso e precisa desviar o pensamento.

A roda da vida realmente não para de girar enquanto vivemos nossas dores. Você chora por muito tempo todos os dias em algum momento, mas você também sorri com uma mensagem carinhosa que recebe, com um beijo do filho...você tem diariamente mil lembranças ativadas, que se misturam com a louça na pia, com o auxilio na redação da catequese e com todos os afazeres que não cessam. 

E quer saber? Que bom que é assim. Pois se fosse de outro modo, nos afundaríamos na dor. Porém a vida, sábia como ela só, nos mostra todos os dias, que precisamos estar em pé, que o luto precisa ser vivido sim, porém o que ele não pode nunca é nos paralisar.

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